"É como amanhecer mais um dia comum, daqueles que você acorda com o despertador tocando, você jogando ele com toda força na parede, se cobrindo por causa do sol entrando com tudo pela janela, bocejando e espreguiçando, levantando, lavando o rosto, tomando o café da manhã, "Sem bom dias por favor" e saindo para mais um dia de rotina. Vamos deixar isso para aquelas pessoas chatas e que não valorizam cada dia que passa."
"Acordo de manhã, o despertador desperta, o sol ilumina, a boca boceja, o corpo espreguiça e agradeço ao Universo por mais um dia de olhos abertos. Me levanto todos os dias, a primeira coisa que eu faço? Abrir a minha agenda e escrever tudo o que eu sonhei e senti."
Querida Agenda,
(é assim que eu a chamo, pois acho esse negócio de Querido Diário muito antigo, acho que li isso nos diários de minha bisavó, hoje em dia, nós usamos Agendas, e também vamos concordar, Diários são para Maricas!)
Hoje sonhei como se estivesse num mundo muito louco, em um mundo que tudo parecia ter sido tecnologicamente mudado.
As pessoas olhavam pra você com olhares frios, pareciam olhares de insônia, olhares que se você olhasse no fundo via-se o cansaço do trabalho, olhares mecânicos, faziam barulhos mecânicos, eram robôs.
No meio deles, eu me sentia como estar em um mundo cheio de angústia e medo com toda aquela tecnologia ao meu redor. Procurei um jornal para ver em qual ano eu estava, corri e vi um daqueles jornaleiros-de-rua, procurei uma moeda mas não encontrei, encostei meu rosto para poder ver a matéria principal, mas não a vi, pude ver que o jornal não havia letras, mas sim uma daquelas entradas para fone de ouvido, o jornal era em MP3-Player (se é que o mundo ainda estava em MP3). Continuei sem saber o ano, mas para mim não era tão importante saber em que ano eu estava, mas sim encontrar alguém que pudesse me mostrar toda aquela tecnologia. Quem não quer desfrutar um dia de uma máquina própria de fazer chocolate que você adapta no braço do sofá e come sem nenhum esforço, direto na boca, assistindo a um filme? Ou até mesmo voar para todos os lados com os famosos Air-Car 3000, os famosos carros voadores que nós só viamos nos desenhos animados? Bem, era tudo isso, tudo e mais um pouco, até eu encontrar um lugar onde a luz que saía de dentro iluminava toda aquela cor cinzenta de metal que o tal mundo-moderno transmitia, ela passava pelos meus olhos fazendo eu seguir somente naquela direção. Cheguei em frente, olhei por dentro da vitrine, e vi centenas de coisas, de objetos que se mexiam, objetos parados, estátuas, quadros, livros, tudo o que você puder imaginar. Fiquei curioso, e ao pisar na porta, ela se abriu sozinha, pensei comigo, "Sabia que não iria encontrar nada que não fosse feito com 'tecnologia de computador' por aqui". Entrei, percebi que alguns objetos eram familiares para mim, mas nem dei importância, respirei um ar quente e mofado e ao mesmo tempo um ar com cheiro de coisas novas, um ar que não era poluído nem condicionado à frio, era agradável. A loja era imensa, pelo lado de fora parecia uma loja minúscula pelo tamanho de sua porta. No fundo da loja, havia um rapaz, ele era alto, magro, e cabelos compridos até o ombro, me percebeu parado a sua frente depois de eu derrubar uns livros da prateleira. Ele devia estar muito concentrado escrevendo algo em uns papéis que estavam sobre sua mesa. Eu o cumprimentei e ele respondeu com um aceno de cabeça. Não fiquei surpreso por ele não me responder normalmente com um "Oi, de onde você veio?", pois imaginei como devia ser solitária a vida naquele lugar, mas por outro lado fiquei surpreso, pois, como um ser humano conseguiria viver sem conversar com ninguém? Ao menos se existissem outras pessoas de carne e osso naquele lugar, ou será que ele não é mais um daqueles robôs em formato mais original? -pensei comigo. De repente, ele levantou e me chamou pelo nome; fiquei confuso e ao mesmo tempo imaginando se existia alguma tecnologia naquele lugar que descobrisse os dados pessoais de cada um. Ele seguiu em direção a uma porta, bem minúscula, eu perguntei a ele se nós iríamos passar por ali, adivinhem a resposta? É, claro que não ¬¬'. Ao lado havia uma outra porta, uma bem maior que a primeira, ele destrancou-a e passamos para o outro lado.
O outro lado, era como de se esperar, cinzento. Mas algo era diferente, lá você podia sentir.
Tentei entrar para poder sentir todo aquela abundância em alegria e sentimentos bons que vinham no ar, mas algo me prendeu do outro lado. Parei, pensei, e refleti por uns instantes.
Logo não precisei de explicação para entender tudo aquilo, mas o rapaz me ajudou a refletir com mais palavras.
"Aqui, onde estamos, é o meio de todo este lugar, ele divide a parte com sentimentos bons, e a parte com sentimentos ruins, ele é o centro da nossa mente, e você, todos os dias que passa por aqui após dormir, sempre entra pelo lado ruim, entra deixando coisas boas aqui na loja, como estas novas habilidades que você ganhou no treino de voleibol ou até mesmo as palavras novas que você aprendeu no curso de alemão, estou enviando-as para pessoas que realmente querem usá-las bem. Na verdade você não ganha novas habilidade, você aprende, e se não as utiliza como devido, elas vêm para cá, todos os dias após você dormir, elas ficam aqui, e são repassadas para as pessoas que realmente necessitam delas. Nem só as habilidades, mas também a nossa saúde. Já percebeu, todas as vezes quando você vai dormir são e acorda com dor de garganta ou gripado?
E o que eu posso fazer para melhorar tudo isso e recuperar tudo o que eu perdi todo esse tempo?
"Você vai ter que conquistar todas as suas habilidades que você perdeu, porque foi como eu disse, você não ganha, ou você aprende ou você conquista-as."
ACORDEI.
Por incrível que pareça, consegui me lembrar de um sonho. Achei tudo muito estranho, achei não passar de um sonho, mas pelo menos desta vez tentei fazer a coisa certa.
Acordei de manhã, o despertador despertou, o sol iluminou, a boca bocejou, o corpo espreguiçou e agradeci ao meu Universo por mais um dia de olhos abertos. Me levanto todos os dias, a primeira coisa que eu faço? Abrir a minha agenda e escrever tudo o que eu sonhei e senti.
Foi assim que eu aprendi a conquistar as minhas habilidades, me tornei um mestre nisso, hoje sou o melhor amigo do rapaz que vive lá na loja. O outro lado, nem conto a vocês, fica a critério de cada um imaginar como é o lado de sentimentos bons. Aprendi a conquistá-las tanto no trabalho, quanto na saúde. Descobri também que podemos usar as nossas habilidades para conquistar o amor de nossa vida, conheci uma pessoa muito especial, que hoje, vivo feliz ao seu lado, chamo de Minha Família. Ensinei Minha Família a viajar pelos segredos dos sonhos, até minha filha já sabe como lidar, ela disse que lá na loja, tem uma menininha muito linda que brinca de boneca, e que nos sonhos ela é a melhor amiga dela. "Se minha filha não tivesse me contado isso, nunca saberia que o rapaz da loja, ou melhor, o meu melhor amigo sempre foi o meu eu interior tentando fazer tudo melhorar antes que o pior viesse a acontecer."


